A Inspiração por Trás do Livro
A professora e escritora Caroline Branco, com apenas 27 anos, percebeu a falta de representatividade da cidade de Mogi das Cruzes em materiais didáticos. Isso a motivou a criar um livro infantil que introduz as capivaras como protagonistas em aventuras pela cidade, buscando trazer um olhar renovador e lúdico para os alunos do 1º ano do Ensino Fundamental.
Caroline, que reside no bairro César de Souza, teve a ideia durante suas aulas, quando notou que as referências aos espaços urbanos eram de cidades distantes, fazendo com que suas alunas e alunos não se identificassem. “Os materiais eram de lugares fora da nossa realidade, e eu queria algo que refletisse nossa vivência e cultura local”, explica.
Capivaras como Protagonistas
O título do livro, “As Capivarinhas de Mogi”, foi inspirado nas capivaras que habitam o Parque Centenário da Imigração Japonesa, localizado no mesmo bairro onde a autora vive. Caroline viu nessas criaturas a oportunidade de contar histórias infantis que interagem diretamente com a natureza e os espaços da cidade. Os pequenos roedores são frequentemente avistados pelos moradores e são um ícone dos parques locais.

Em suas páginas, as capivaras exploram lugares icônicos de Mogi das Cruzes, trazendo um ar de familiaridade e encanto para as crianças, que se vêem representadas nas narrativas.
Importância da Literatura Local
Além de ensinar conteúdos escolares, o livro tem um papel fundamental na valorização da cultura local. Caroline acredita que as crianças precisam se sentir parte da sua comunidade, o que se torna possível quando reconhecem lugares conhecidos dentro das histórias que leem.
Logo, ela propôs um projeto que enriquece não apenas o aprendizado, mas também a autoidentificação dos alunos, ajudando-os a enxergar com outros olhos seus arredores. A literatura se transforma, assim, em uma ferramenta de empoderamento e pertencimento.
Identificação das Crianças com a História
A seleção dos espaços destacados no livro foi planejada de forma cuidadosa, levando em consideração o repertório cultural e os ambientes familiares das crianças. Além do Parque Centenário, o livro menciona locais como a estação de trem Estudantes, o Ginásio Municipal e a área onde ocorre a tradicional Festa do Divino, uma celebração histórica que remonta a 1613.
Caroline deseja que seus alunos não apenas reconheçam essas localidades, como também sintam a curiosidade de visitá-los e experimentá-los na vida real, incentivando o aprendizado prático e a exploração de suas raízes culturais.
Os Pontos Turísticos de Mogi
Os cenários que compõem a narrativa de “As Capivarinhas de Mogi” incluem pontos turísticos que são parte da identidade da cidade. O livro propõe um passeio literário que vai do Mercado Municipal ao Teatro Vasques, destacando a riqueza cultural e a diversidade dos espaços que Mogi das Cruzes oferece.
Essas referências ajudam a instigar a curiosidade das crianças e ampliam seu horizonte cultural, sendo fundamentais para a formação de uma identidade local sólida.
Promovendo o Pertencimento
Caroline tem como meta incentivar o pertencimento nas suas turmas. Ao apresentar cenários conhecidos do cotidiano dos alunos, ela contribui para que eles vejam a si mesmos nas histórias, gerando um sentimento de conexão e amor pela sua comunidade.
“É essencial que as crianças reconheçam seus próprios lugares nas páginas de um livro e se sintam parte dessa narrativa”, ela compartilha com entusiasmo.
O Impacto na Educação Infantil
A recepção do livro por parte dos alunos e da comunidade escolar foi positiva e surpreendente. Caroline observou que muitos alunos expressavam entusiasmo ao ver seus próprios bairros e pontos conhecidos representados como parte de uma história. “Eu fiquei muito emocionada ao ver a reação deles. Para muitos, era novo ver um lugar que frequentam em um livro”, comenta a autora.
Esse reconhecimento, segundo Caroline, tem grande importância no desenvolvimento da literatura infantil, especialmente no que diz respeito a encorajar as crianças a se engajarem com a leitura.
Como o Livro Foi Financiado
O projeto de “As Capivarinhas de Mogi” foi realizado com o apoio do Programa de Fomento à Arte e Cultura (Profac), da Prefeitura de Mogi das Cruzes. Caroline enfatiza que existem várias oportunidades de incentivo que artistas locais podem aproveitar, mesmo com os desafios burocráticos.
Graças a esse apoio financeiro, a autora conseguiu imprimir 600 cópias, distribuindo pelo menos uma unidade para todas as escolas municipais em diferentes fases do ensino, evidenciando assim a importância da literatura educacional.
Futuras Aventuras Literárias
Dessa experiência, Caroline já planeja novos projetos literários, incluindo a criação de obras que abordam a fauna da Mata Atlântica presente na região e parcerias com editoras para expandir a circulação de seus livros. Ela deseja continuar escrevendo e espera lançar um novo livro por ano.
“Estou animada para explorar novos temas e aprofundar meus conhecimentos sobre a literatura infantil”, diz ela, demonstrando uma visão de futuro cheia de esperança e determinação.
O Papel da Comunidade na Literatura
O engajamento da comunidade é um elemento vital para o sucesso de projetos literários como o de Caroline. Há uma necessidade crescente de que as histórias ecossociais, que tenham relevância e ressonância locais, sejam contadas e valorizadas. A interação e o apoio da comunidade podem transformar experiências isoladas em movimentos coletivos que buscam uma mudança e valorização cultural.
Caroline acredita que ao estimular a produção literária centrada na realidade das periferias, todos podem se beneficiar de uma educação mais inclusiva e conectada com os padrões da realidade.
A novela infantil de Caroline não só incentiva a leitura, mas assume um papel ativo na formação de cidadãos mais conscientes e envolvidos com seu espaço.


